A Dani me deu a notícia de que eu iria trabalhar aqui no site da seguinte forma: “Ta, você pode ir numa degustação de cervejas especiais belgas, tirar fotos e escrever o que achou?”. Quase não me aguentei de tanta alegria!

Uns quinze minutos depois me caiu a ficha… Eu não entendo nada de cervejas! Quer dizer, eu sou consumidora de cervejas como todo bom brasileiro. Bebo uma Original, um chopinho Brahma… bebidas que combinam com o clima do nosso país e que se encontram em qualquer mercadinho e/ou boteco, e conheço também as marcas estrangeiras mais famosas disponíveis em pubs. E só! E agora? Bom, para mim não existia possibilidade alguma de deixar essa oportunidade passar!
Junto com o convite para a degustação eu recebi a descrição das cervejas e, menina estudiosa que sou, tratei logo de me familiarizar com o assunto e utilizei o titio Google para aprender “como degustar cervejas”. Juro! A verdade é que não é tão diferente assim de degustar um vinho. Primeiro, observa-se o visual da cerveja, a cor, transparência… Depois os aromas, que variam de acordo com o estilo de cada cerveja e a memória olfativa de cada um e, por fim, o paladar! O corpo, a acidez, o equilíbrio…
Passei uma semana na mais pura ansiedade. No dia da degustação, saí de casa cedo, munida de câmera fotográfica, uma caneta e meu caderninho de degustação.
Cheguei no local, o Butcher’s Market no bairro do Itaim Bibi aqui em São Paulo e já logo vi o salão do restaurante, com pé direito alto, decoração despojada e rock and roll dos bons de trilha sonora! O evento porém foi no salão da parte superior, chamado The Barn, e foi aí que começou a minha estranheza. O lugar é lindo, rústico e com aquela “meia luz” bem aconchegante. Espere aí! Como assim “meia luz”? Mas… como iríamos fazer para avaliar a cor das cervejas? E fazer as anotações nas fichas técnicas? Aliás, cadê as fichas técnicas?
Eu sentei quietinha na mesa “reservada para imprensa” (me achando, confesso!) e fiquei observando um pouco assustada tentando entender “como proceder”. As pessoas ao meu redor eram completamente diferentes dos engravatados das degustações de vinhos formais e técnicas que frequentei durante anos. Aliás, foram convidados somente jovens modernos e antenados e claro, apaixonados pelas cervejas! Não demorei para entrar no clima mais relax e animado dos meus colegas de degustação!
A degustação foi conduzida pelo representante do grupo Duvel-Moortgart, o belga Bram Vaerewyck, em inglês com tradução simultânea, e de uma forma muito alegre e descontraída, sempre enaltecendo a paixão pela cultura das cervejas especiais, que vem crescendo cada vez mais no Brasil. Foram degustadas ao todo 7 tipos de cervejas de diferentes estilos. E mais uma surpresa minha: em uma degustação de vinhos sempre tem um balde pra você ir cuspindo os vinhos que se degusta para ao final de tudo você lembrar do seu nome e o caminho de casa. Mas nessa degustação não… era para beber tudinho! Imaginem só a alegria do pessoal ao ir embora!
Vamos falar das cervejas?
Começamos com a Vedett Extra White (teor alcoólico 4,7%), uma cerveja fermentada com cascas de laranja, de cor amarelo claro, leve e refrescante. A sugestão é que seja servida com pratos leves como aperitivos, saladinhas, peixes grelhados, ostras frescas e até sushis e sashimis!
Em seguida provamos a De Koninck Tradicional (5,2%), feita com lúpulo orgânico original da República Tcheca, de coloração âmbar. Acompanha aperitivos, queijos e pratos leves a base de aves.
Depois passamos para a Duvel Tradicional (8,5%), apelidada de “o Champagne das cervejas”, de cor amarela clara, mais encorpada no paladar e bastante aromática. Uma das mais populares cervejas da Bélgica e que acompanha um prato bastante tradicional, o moules et frites (mexilhões com batatas fritas)!
Seguimos para a Mc Chouffe (8%), de cor marrom escura, levemente maltada e ótima para acompanhar sobremesas a base de chocolate e frutos secos!
cerveja duvel1Depois provamos a Maredsous Triple (10%), em tom âmbar, aromas frutados, com nuances de caramelo, amêndoas e corpo médio.

A seguir foi a vez da Houblon Chouffe (9%), clarinha, de inspiração inglesa e amarga até dizer chega! Deguste com pratos a base de peixe ou de inspiração indiana!
Finalizamos com uma cerveja de frutas, a Liefmans Fruitesse, elaborada com sucos de morango, framboesa, mirtilo e sabugueiro e maturada por 18 meses em contato com cerejas! O resultado é uma bebida alegre e refrescante, que foi servida com pedras de gelo e pode também ser utilizada para elaborar cocktails!
cerveja duvel2Cada cerveja foi servida em um copo, desenvolvido de acordo com os estilos. Pode parecer frescura, ou pura estética, mas servir uma cerveja em um copo ou taça próprios valoriza as características únicas de cada uma! Por fim, a última grande diferença que notei entre degustação de cervejas e de vinhos: foram servidos para todos os presentes alguns petisquinhos… bolinho de tapioca com queijo frito, batatas fritas temperadas e a melhor “onion rings” que já comi, bem crocante e apimentadinha! Nas degustações de vinhos, serviam no máximo um pãozinho para limpar o paladar e jamais interferir nos sabores.
No final da degustação todos da mesa já tinham virado amigos, trocando contatos e muitas risadas! Fui para casa super leve e feliz (lógico que o álcool contribuiu um pouquinho) e com a certeza de que não poderia ter feito a minha estréia no site de forma mais feliz!

Butcher’s Market
Rua Bandeira Paulista 164, Itaim Bibi, SP
Tel: 3073-1606

Cervejas Duvel-Moorgart – Interfood
Tel: 2602-7255

Release das cervejas foi cedido pela KRP.