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Cafés Gelados

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Oi, pessoal! Como vocês estão? Feliz 2016 a todos os leitores e leitoras desse querido blog!

Começo de ano é sempre uma época de muito calor nesse país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza (mas que beleza). Por isso, decidi falar hoje sobre algumas maneiras de preparar um café geladinho, que ajude a aguentar esses 30 e poucos graus celsius que temos passado.

1. Método japonês

Também conhecido como “flash brew”, esse método tem sido o meu preferido ultimamente. O café é passado diretamente sobre o gelo, o que proporciona uma boa extração e faz com que a bebida fique gelada logo depois de pronta. Para 300 ml de café você vai usar:

  • 20 gramas de café moído
  • 150 gramas de gelo
  • 150 ml de água fervente
  • porta-filtro com filtro de papel
  • jarra

Modo de preparo: escalde o filtro com água fervente. Coloque o gelo na jarra abaixo do porta-filtro e filtre o café diretamente sobre o gelo, lembrando que nessa receita seu café  será feito com o dobro da concentração (ou seja, 20 gramas para 150 ml). O café quente e concentrado vai cair sobre o gelo e resfriar rapidamente, completando a diluição e produzindo uma bebida deliciosa.

Processed with VSCOcam with f2 presetFonte: instagram.com/arabicasimples – Foto do topo: flickr – localmilk

2. Gelado na coqueteleira

Utilizar a coqueteleira é simples e rápido. Gosto desse método por ser divertido, então geralmente vario as receitas mudando a quantidade ou concentração do café, a quantidade de gelo ou acrescentando outros ingredientes cujos sabores combinem com a bebida que estou preparando (como raspas de limão, leite, whisky e por aí vai).

  • 200 ml de café filtrado
  • gelo quanto baste
  • coqueteleira

Modo de preparo: acrescente quanto gelo desejar e o café recém preparado no copo da coqueteleira. Feche e misture bem, até sentir que a coqueteleira está bem gelada. Abra e sirva pelo filtro da coqueteleira, ou sirva sem filtrar caso deseje um café com bastante espuma.

3. Cubinhos de gelo de café

Recentemente tem sido fácil encontrar por aí várias fotos e receitas com cubinhos de gelo feito de café (vide Pinterest e afins). Não utilizo muito esse método por dois motivos: primeiro, demora algumas horas para ficar pronto e, segundo, o café congelado perde características aromáticas e de sabor, então não tem o mesmo gosto do café preparado na hora. Mas, se mesmo assim você quiser fazer os gelinhos de café, saiba que eles podem ser uma alternativa interessante para bebidas como smoothies e shakes à base de leite ou sorvete, como frappuccinos.

  • 200 ml de café filtrado
  • forminhas de gelo

Modo de preparo: coloque o café nas formas de gelo e leve ao congelador por mais ou menos 4 horas, ou até ficar sólido.

cubos-de-cafe-designlovefest-ickfd-cafeFonte: Design Love Fest

MENÇÕES HONROSAS:. Cold brew

Já falamos sobre o cold brew por aqui, e é bom que se diga que ele é uma das alternativas mais populares ultimamente. Pode ser bebido com gelo, com limão, com leite ou usado como base para outras receitas! No post sobre ele eu te explico o passo a passo da receita, corre lá!

cold-brew-gimmesommeoven-cafes-gelados-ickfdFonte: Gimme Some Oven

Espresso tônica

Esse drink é tão simples e genial que merece um post só para ele. Basta dizer que leva três ingredientes – gelo, água tônica e espresso – e é delicioso, refrescante e tem um equilíbrio agradável entre a doçura do café e o amargor natural da quinina. Costumo utilizar:

  • 150 ml de água tônica
  • 30 ml de espresso
  • gelo quanto baste

Modo de preparo: preencha um copo de vidro alto com quanto gelo desejar e acrescente a água tônica. Minha sugestão é que o espresso seja extraído sobre a água tônica, para que as bebidas se misturem gradualmente, dando um efeito visual interessante ao drink. Caso você não tenha uma máquina de espresso, essa receita pode ser feita com café filtrado ou cold brew também!

Processed with VSCOcam with hb2 presetFonte: flickr – bexwalton

Bons cafés gelados a todos, bom verão e até a próxima! 😉

Processed with VSCOcam with hb1 presetFonte: instagram.com/arabicasimples

10 opções de cafés para pedir na cafeteria

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julianolamur-cafeemcasa027-cardapio-binksandthebadhousewife.comFonte: Binks and the Bad Housewife

Se me perguntassem qual foi a cena que vi se repetir um maior número de vezes em cafés por aí, descreveria da seguinte maneira: cliente pega o cardápio (de umas 15 páginas, em geral) e folheia sem pressa. Lê todas as opções. Chama um atendente e tira várias dúvidas. Acaba apontando uma das opções (geralmente das primeiras), dizendo: “Vou querer um desse aqui, mesmo”.

Se você se identificou com a cena, não se ofenda. Eu também já fiz isso várias vezes e acredito que a maioria dos estabelecimentos não percebe que talvez suas opções de cardápio não estejam claras para os clientes. Mas nem tudo está perdido. Ninguém é obrigado a saber pronunciar o nome de uma bebida que contém as palavras Doppio Geisha Caramel Mocha Frappuccino Decaf, e conhecer os itens básicos do cardápio pode te ajudar na hora de escolher qual café pedir. É por isso que estamos aqui! Confira a seguir 10 opções de cafés que você encontra em muitas cafeterias por aí:

Espresso: uma bebida que geralmente possui entre 25 e 35 ml e utiliza de 9 a 11 gramas de café moído super fino e extraído sob pressão. A extração leva de 20 a 30 segundos e a proporção geralmente é de 3 partes de água para 1 de café (ou até menor), o que faz com que a seja bastante concentrado.

Se o espresso tiver menos de 25 ml é chamado de ristretto, um espresso curto, mais concentrado e que pode ser mais doce se feito corretamente. Caso tenha mais de 45 ml é chamado de lungo (também conhecido por aqui como carioca), um espresso longo, mais diluído e que por isso dura mais, mas que tende a possuir sabores menos interessantes do que os do espresso.

Processed with VSCO with hb2 presetFonte: Arábica Simples – Instagram

Doppio: espresso duplo. Em geral, 60 ml de espresso extraídos em um porta filtro duplo, com 18 a 21 gramas de café. Mesmo tempo de extração, o dobro da diversão. O doppio pode ser curto ou longo, de acordo com o que o cliente desejar.

Americano: espresso duplo extraído sobre 100 ml de água quente. O resultado é uma bebida maior (150 ml) e que se parece com um café filtrado, por ser mais diluída. Uma dica esperta: a crema (aquela espuminha) que vem sobre o americano é linda, mas tende a ser a parte mais amarga por ser rica em partículas insolúveis do café. Se quiser que seu americano não seja amargo, peça para o barista para tirar a crema para você. 🙂

Naked: geralmente o nome naked se refere ao porta filtro no qual o café é colocado e também à bebida extraída nesse tipo de porta filtro. Em resumo, esse café não passa pelo bico de metal que o direciona até a sua xícara. O resultado é um espresso duplo com todos os óleos essenciais do grão aromático e muito intenso.

julianolamur-cafeemcasa027-naked-pinterestFonte: R 58 Rocket Espresso

Machiatto: um espresso “marcado” ou “manchado” com a espuma do leite. Ao acrescentar uma pequena dose de leite a um espresso recém feito, sua tendência é ficar abaixo da crema e não ser visto, por isso essa mancha é feita na superfície para identificar a bebida. Ideal para quem gosta do espresso mas procura algo mais suave e adocicado.

Cappuccino: uma dose de espresso, leite vaporizado, espuma de leite e nada mais. Geralmente possui entre 150 e 175 ml e é comum os brasileiros acrescentarem chocolate, canela ou chantilly ao cappuccino que vale a dica: se quiser o tradicional, reforce isso na hora de fazer seu pedido. Penso que um cappuccino bem equilibrado é praticamente uma obra de arte, pois combina os sabores com a doçura do leite e a textura da espuma. Beba morno e contemple a beleza da vida.

julianolamur-cafeemcasa027-cappuccino-arabicasimplesFonte: Arábica Simples

O cappuccino é uma daquelas bebidas que tem tantas, mas tantas histórias, que merece um post só para ela.

Caffe Latte: parecido com um cappuccino, mas com mais leite e menos espuma de leite. Isso faz com que o sabor do café fique menos intenso, e também possibilita que seja decorado com um desenho em Latte Art.

Processed with VSCO with hb2 presetFonte: Arábica Simples

Mocha: servido em um copo ou xícara alta (200 a 250 ml), o mocha leva uma camada generosa de calda de chocolate no fundo, leite vaporizado com mais ou menos 1 cm de espuma no topo e uma dose de espresso para finalizar.  Tende a ser bastante doce, por isso a sugestão de utilizar uma calda de chocolate amargo ou meio amargo no preparo.

Frappuccino: diz a lenda que o nome nasceu daquela marca que tem uma sereia no símbolo, sabe? Bem, vale dizer que é uma bebida gelada, que geralmente leva sorvete, espresso e outros ingredientes, como xarope de chocolate, biscoito e é servida em um copo de milkshake (300 ml ou mais). Então seria mais como uma sobremesa, mas como é feita com café, para todos os efeitos, está na nossa lista. 🙂

Cafés filtrados ou coados: vão desde o tradicional feito no porta filtro Melitta até os métodos mais sofisticados, cada um com sua receita. Já postei por aqui uma série sobre os métodos de extração e trouxe dicas de utensílios que podem ajudar muito na hora de preparar um bom café que também valem para cafeterias. Importantíssimo e indispensável: café filtrado com sabor bom é filtrado e feito na hora. Se estiver pronto há horas numa garrafa térmica (ou pior, numa jarrinha sobre superfície aquecida), as chances de você se decepcionar com o gosto são enormes. Atualmente existem muitos locais que servem os cafés filtrados na hora, vale a pena experimentar.

Processed with VSCO with hb2 presetFonte: Arábica Simples

Lembrando que essa lista varia um pouco entre lugares e culturas diferentes. Se você tem alguma sugestão, já viu receitas diferentes dessas e quer acrescentar algo ou tirar dúvidas, comente aqui embaixo!

Um abraço e bons cafés!

A melhor receita de Aeropress do mundo – 2016

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Oi, pessoal! Como estão?

Nesse ano de 2016 tenho sido surpreendido pela grande quantidade de pessoas que buscam informações sobre o café de todos os dias. Claro que o interesse dos consumidores reflete no mercado, aumentando o consumo dos cafés especiais e a procura por novos métodos de extração. É aí que entram em cena as feiras e os campeonatos que acontecem anualmente, buscando divulgar novidades e apresentar tendências de consumo do café.

Processed with VSCO with hb2 presetProcessed with VSCO with hb1 presetFontes: @arabicasimples e Nathalia Lange

Como já contei por aqui , em 2015 o Brasil começou a organizar o Campeonato Brasileiro de Aeropress, que serve como classificatória para um evento internacional. Esse evento reúne os melhores competidores de vários países e nele os juízes escolhem a receita que reinará soberana sobre todas as outras receitas de Aeropress do mundo, pelo menos até o ano seguinte. 🙂

Nas fotos acima, vocês podem ver alguns momentos do campeonato deste ano, que aconteceu aqui em Curitiba e do qual eu participei (sou o cara da esquerda com a camiseta azul marinho que está conversando com um dos juízes do campeonato). Cheguei às semifinais e foi uma experiência incrível experimentar alguns dos melhores cafés por aqui.

Ah! E como não poderia deixar de mencionar, esse ano o 3º lugar do campeonato mundial foi ocupado pelo brasileiro Hugo Rocco, do Moka Clube aqui de Curitiba. Ou seja: produzimos muito café, cafés de grande qualidade e excelentes baristas aqui no Brasil. Isso sim é motivo para um brinde! Cheers!

julianolamur-cafeemcasa026-aeropress-instagram.com-ma_arisFonte: instagram.com/ma_aris/

Em 2016 o título mundial ficou com o polonês Filip Kucharczyk, do Cafe Targowa, que venceu 107 competidores poloneses (!!!) e 50 de outros países com a seguinte receita:

Você vai precisar de:

  • Aeropress (invertida);
  • filtro de papel (escaldado em água quente);
    35 gramas de café com moagem média;
  • 250 a 270 ml de água quente a 81ºC;

Modo de preparo:

  1. Acrescente os 35 gramas de café e despeje 150 ml de água em 15 segundos;
  2. Mexa por 30 segundos;
  3. Coloque a tampinha com o filtro e espere um minuto;
  4. Inverta a Aeropress sobre uma caneca, dê uma breve misturada no conteúdo e extraia;
  5. Acrescente 100 a 120 ml de água ao café pronto, a seu gosto.

O tempo total de extração será de aproximadamente 2’10”. Depois de beber esse café você deve se sentir mais ou menos como o Filip:

melhor-receita-aeropress-mundo-2016-worldaeropresschampionship.comFonte: worldaeropresschampionship.com

Um abraço e boas bebidas!

Tendência: Café na casquinha de sorvete com chocolate

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cafe-na-casquinha-de-sorvete-the-grind-coffee-company-ickfd-4Quem precisa de xícaras de porcelana para beber café quando se tem casquinhas de sorvete com chocolate? David Levinrad, barista sul-africano e proprietário da The Grind Coffee Company, em Johanesburgo, teve a brilhante ideia de juntar essas três coisas maravilhosas em uma só! E a resposta do público foi tão positiva que agora o mundo todo está doido para provar a novidade.

Depois de vários testes com especialistas em chocolate, o barista desenvolveu uma receita para que a camada interna da casquinha de sorvete não derretesse nas mãos ao beber o espresso machiatto (café com espuma de leite). Assim, Levinrad patenteou o “Coffee in a Cone” (café no cone) e espalhou a notícia pelo Instagram do The Grind Coffee Company utilizando a hashtag #coffeeinacone.

cafe-na-casquinha-de-sorvete-the-grind-coffee-company-ickfd-2cafe-na-casquinha-de-sorvete-the-grind-coffee-company-ickfd-5cafe-na-casquinha-de-sorvete-the-grind-coffee-company-ickfd-3Fotos publicadas no Instagram do The Grind Coffee Company (@thegrindza)

É só falar em “chocolate”, “café” e “casquinha de sorvete” para causar um auê, então você pode imaginar a cena. E, claro, outras cafeterias não perderam a oportunidade de se inspirar na criação, né? O Alfred Coffee & Kitchen, em Los Angeles – Califórnia, já entrou na dança: também está vendendo o café na casquinha de sorvete com chocolate.

abcnews-cafe-na-casquinha-de-sorvete-la-ickfdFonte: ABC News

O bom disso tudo é que a gente não precisa viajar para a África do Sul ou para os Estados Unidos para poder provar a novidade. Afinal, temos casquinha de sorvete, chocolate e café por aqui também ;D

Eu vou tentar fazer em casa, e você?

Kopi Luwak, o famoso café de cocô

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Se tem um assunto sobre o qual as pessoas sempre me perguntam é sobre os cafés processados por animais ou “feitos de cocô”. Arrisco dizer que depois de ter começado a trabalhar com cafés especiais, a pergunta que mais ouvi foi: “E o café de cocô, já tomou?”, para a qual geralmente respondo um sonoro “Sim!”, apenas para me deparar com as reações mais surpreendentes (que vão do nojo ao assombro).

É por isso que hoje vou dar uma resposta bem explicada a vocês, queridos leitores e leitoras do ICKFD! 😀

A origem dos cafés processados por animais pode estar lá no século 18, quando os holandeses estipularam que plantações de café poderiam dar um bom lucro se fossem implantadas nas ilhas da Indonésia, por conta das condições climáticas e de altitude. Assim, eles levaram mudas do fruto, nativo de alguns países da África, para iniciar a produção na Ásia. Acontece que os produtores holandeses não deixavam os trabalhadores da lavoura (indonésios) tomarem o café que eles mesmos plantavam, colhiam e processavam. A solução? Buscar grãos de café que eram comidos e ahn, descomidos pelo civeta de palmeira asiática, esse simpático serzinho da foto abaixo:

julianolamur-cafeemcasa025-kopi-luwak-zoochat.comFonte: zoochat.com

Os civetas vinham de matas próximas e se alimentavam dos frutos do cafeeiro, e como as sementes não eram digeridas, os trabalhadores da lavoura separavam as sementes das fezes, lavavam (bem lavadas, eu espero), torravam e moíam, como faziam com qualquer outro café. Como os bichinhos escolhiam os frutos mais maduros e doces, no fim das contas os trabalhadores tinham acesso ao melhor café que as fazendas produziam. Logo os holandeses descobriram esse processo e começaram a comercializar esse café também (e lá se foi a chance dos indonésios de beber café). Surgia assim o Kopi Luwak, ou café do civeta.

Acontece que por ser um café exótico, geralmente de qualidade razoável e baixa produção, sua raridade fez com que os preços subissem muito. Por volta de 2010, um quilo de Kopi Luwak chegou a custar mais de 700 dólares no mercado internacional, o que atraiu os olhares do mundo e de outros produtores para esse café.

julianolamur-cafeemcasa025-kopi-luwak-alanabread2Fonte (e foto de topo): alanabread.com

De alguns anos para cá, muitas fazendas começaram a aprisionar civetas e alimentá-los com grãos café, o que naturalmente não produziu o resultado esperado e criou centenas de marcas de Kopi Luwaks falsificados, de qualidade inferior. O que surgiu como uma solução criativa de trabalhadores locais se transformou em um problema de proporções bem maiores, a ponto de atualmente ser praticamente impossível saber se o Kopi Luwak vendido em um site ou cafeteria é produzido a partir de animais em cativeiro ou não.

“E é gostoso?” 

É a segunda pergunta que mais ouvi, curiosidade de quem já ouviu falar do café processado por animais e quer saber que gosto tem. Tenho que confessar que sim. Até onde provei, os cafés processados por animais possuem sabores e aromas interessantes. Acho que tive sorte de provar um bom Kopi Luwak na Itália, mas já li inúmeros relatos de pessoas em diversos países que compraram cafés com a etiqueta “Kopi Luwak legítimo” pela internet e foram enganadas.

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Fonte: instagram.com/arabicasimples

Só depois de experimentar o Kopi Luwak fiquei sabendo de todas essas histórias de maus tratos, que me impactaram bastante. Hoje penso que o problema ambiental decorrente da captura dos pequenos animais não justifica esse tipo de produção. É possível produzir cafés excepcionais sem causar tanto impacto. James Hoffmann, autor do The World Atlas of Coffee, chega a dizer que a prática é “abusiva e antiética”, e que acha que “todos deveriam evitar cafés processados por animais, não recompensando os produtores por esse comportamento desprezível”. O café pode até ser bom, mas estou com ele nessa.

E você, já tomou o café de cocô? 😉

[p.s. as imagens de cafés do post não são do Kopi Luwak, ok?]

Bulletproof Coffee: O café que promete saúde

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Oi, pessoal!

Nessa época de verão é comum lembrarmos de todas aquelas vezes em que prometemos a nós mesmos fazer mais exercícios, comer menos doces (impossível) e praticar uma série de hábitos saudáveis que deixariam as meninas com um corpo de dar inveja à miss Colômbia (ops, era Filipinas) e os rapazes com os músculos bem definidos – vem comigo, monstro.

Por motivos cósmicos ou de procrastinação, as coisas nem sempre saem como planejamos e é por isso que ultimamente tenho ouvido falar muito em uma receita chamada bulletproof coffee, ou “café à prova de balas”. É sobre ela que vamos falar hoje! 😀

julianolamur-cafeemcasa024-bulletproof-coffee-thefreshexchangeblog.comFonte: thefreshexchangeblog.com – Foto de topo: Al Seib – Los Angeles Times

O bulletproof coffee é basicamente uma mistura de café filtrado com óleo de coco e manteiga. A receita foi “inventada” por Dave Asprey, um empreendedor do Vale do Silício que diz ter encontrado maneiras de “hackear o próprio corpo”. Pois é. Com sua tecnologia baseada em uma dieta que promete fazer qualquer um perder peso e chegar aos resultados que busca praticamente sem exercícios (oi?), Dave desenvolveu produtos e receitas que o fizeram perder 45 kg e aumentar seu QI em 20 pontos (oi?!). Entre os produtos vendidos pelo seu site estão guias nutricionais, rotinas de treino e um café “desenvolvido especialmente para ser livre de toxinas” e aumentar sua performance corporal (que, sinceramente, não me convenceu nem um pouco).

julianolamur-cafeemcasa024-bulletproof-coffee-latimes.com-2Fonte: Al Seib – Los Angeles Times

Acho que nesse ponto todo mundo já deve estar querendo saber: esse café emagrece mesmo? Bom, aí é que a questão fica complicada. A receita tem fundamentação em uma dieta rica no consumo de gorduras saudáveis (mais ou menos como a dieta Paleo), bastante difundida atualmente e que pode mesmo trazer bons resultados. Acontece que ainda não existe nenhum estudo científico que comprove os benefícios do café com manteiga e óleo de coco. Existem pessoas dizendo que é maravilhoso e funciona, e pessoas dizendo que esse café só dá sensação de saciedade, ou nem isso. Há quem diga que o café turbinado é uma bomba calórica e a longo prazo pode aumentar muito os níveis de colesterol, então vá com calma!

Deixo aqui a receita do bulletproof coffee para quem quiser experimentar em casa. O próprio Asprey desafiou quem acha que não funciona a tentar – eu pretendo tentar nos próximos dias!  😉

Ingredientes:

  • 1 xícara de café filtrado;
  • 1 colher de sopa de óleo de coco;
  • 1 a 2 colheres de sopa de manteiga sem sal ou ghee (manteiga clarificada);

Modo de preparo: Com a manteiga em temperatura ambiente, bata tudo no liquidificador ou mixer por 20 a 30 segundos, até que fique com uma consistência cremosa.

julianolamur-cafeemcasa024-bulletproof-coffee-paleoporn.netFonte: paleoporn.net

Particularmente, acho o bulletproof coffee inofensivo e interessante, em especial para quem adora cappuccinos e cafés com leite. Não acredito muito em suas promessas se não for associado à uma alimentação adequada e a treinos regulares, mas essa é a minha opinião. Se você fez essa bebida ou costuma utilizar o método de Dave Asprey, comente aqui embaixo contando suas experiências!

Um abraço e bons cafés!

Café da Manhã de Natal

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Oi, pessoal!

É muito especial para mim poder estar aqui, junto de vocês, nessa data tão celebrada em nossa cultura e tão esperada por tantos. Tivemos um belo ano e penso meu último texto do Café em Casa em 2015 como um presente para todos nós.

julianolamur-cafeemcasa022-natal-flickr.com-photos-nastya_jourFonte: www.flickr.com/photos/nastya_jour/ – foto de topo: thejungalow.com

Independente das crenças particulares, é quase impossível passar por essa época do ano sem se deparar com pinheirinhos decorados, luzes bonitas piscando por todos os lados e pessoas alegres fazendo votos de coisas boas. Ainda bem. 😀

A palavra “natal” traz em si o significado daquilo que diz respeito ao nascimento, e gosto de lembrar que todo nascimento contém expectativa e celebração. Expectativa porque só nasce o que foi concebido, gerado e passou por um processo de amadurecimento, que exigiu cuidados, dedicação, energia. E celebração porque traz novidade, frescor, vida. Lembramos daquilo que é belo quando contemplamos algo que acabou de nascer. Quando penso nas possibilidades de alguém que nasce, logo lembro de um poema de grande sensibilidade que começa dizendo: “Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.”

ana-rosa-tumblr-cafe-da-manha-de-natal-ickfdFonte: Ana-Rosa Tumblr

Desejo então que os cafés da manhã sejam como momentos de nascimento em nossos dias. Que a espera por novos acontecimentos nos alimente de forma positiva e possamos celebrar a vida. Sejamos gratos por aquilo que temos e conquistamos, mas  principalmente por aquilo que somos. Temos a chance de nos renovar, recriar, aprimorar um pouco a cada dia. Para mim, estes são todos os sonhos do mundo!

Excelentes nascimentos a todos!

Farm to Fork Dinner at Kiyokawa Family Orchards, Parkdale, ORFonte: pinterest.com

Sobre café e sobre escolhas

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Oi, pessoal! Como estão as coisas por aí?

Vários eventos complicados tem acontecido no Brasil e no mundo ultimamente, e por vezes não conseguimos (ou não queremos) estar alheios a tudo isso. Não é preciso procurar muito: basta rolar durante dez segundos sua timeline em qualquer rede social pra encontrar uma opinião polêmica, que leva a discussões talvez não muito frutíferas e que podem trazer à tona o pior do ser humano. Sabemos bem que esse trajeto pode se repetir várias vezes ao dia, para frustração dos envolvidos.

Nestas horas pode ser útil manter a calma. Pode ser que as coisas ainda tenham jeito, acredito eu. E pode ser que isso tenha algo a ver com o café.

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Lendo uma revista da qual gosto muito, esbarrei outro dia com um texto do Gustavo Gitti que dizia que um dos atos mais revolucionários que se pode cometer é tomar consciência de nossa própria caminhada, olhar atentamente ao redor, não ter tanta pressa. Concordo plenamente. Ver as pessoas como algo a mais do que um obstáculo no trânsito ou na fila do metrô é um exercício que precisa ser feito diariamente. Olhar nos olhos do outro é uma excelente prática, mesmo que não seja muito comum nos dias de hoje.

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Às vezes fico pensando sobre como a realidade dos cafés especiais pode parecer distante para muitos de nós. Vivemos em um sistema no qual estamos sempre ocupados, buscando ser eficientes, construir algo, planejar tudo. A escolha do café pode ficar restrita a uma passada (só de ida, para não perder tempo) no corredor do café/açúcar/biscoitos/chocolates do supermercado, uma breve olhada na etiqueta de preço e pronto, lá se foi o café da semana ou do mês da prateleira do mercado para a prateleira de casa.

julianolamur_cafeemcasa_cafe04_www.alanadimou.com.jpgFotos: www.alanadimou.com

Talvez haja outra maneira de escolher o que vamos beber, e isso pode ser uma metáfora para a vida. Confeitaria e panificação fazem monges, já disse o Antonio Nogueira. Com o café não é diferente. O momento de beber um cafezinho muitas vezes é um oásis no meio do expediente, uma pausa muito bem vinda para a reflexão. Para além do que está na xícara, há uma história que certamente envolveu muitas pessoas, desde a fazenda até chegar ao paladar.

Buscar um café produzido com responsabilidade, prepará-lo com carinho e dividir esta experiência com alguém são formas de olharmos nos olhos de todos que estiveram envolvidos nesse processo. Não parece um bom ponto de partida? 🙂

julianolamur_cafeemcasa_cafe05_www.orlaandluke.comFonte: orlaandluke.com

Métodos de extração: Hario V60

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Olá!

Nossa série sobre métodos de extração está chegando ao fim e quero dizer que gostei muito do feedback que tive dos nossos queridos leitores e leitoras! No café (assim como na vida, acredito) crescemos muito quando colocamos conhecimentos em prática, trocamos ideias e compreendemos outros pontos de vista. Por isso, obrigado a vocês pela leitura, pelas dúvidas e pelo carinho! Se você perdeu algum dos posts anteriores e quiser ver, ainda dá tempo clicando aqui!

Nosso último método de extração (por enquanto, hehe) é o porta filtro Hario V60, que possui um design diferente da maioria dos outros porta filtros e está se tornando cada vez mais popular aqui no Brasil.

julianolamur-cafeemcasa020-hario-arabicasimples2Fotos: Juliano Lamur

A Hario é uma empresa japonesa que existe desde 1921, e sua especialidade são utensílios de vidro à prova de calor. Depois de um bom tempo fabricando utensílios para laboratórios, a empresa decidiu começar uma linha doméstica nos anos 50. O porta filtro V60 começou a ser produzido recentemente, por volta de 2005, e desde então já se tornou o principal produto da Hario.

Segundo os fabricantes, o V60 tem 3 grandes diferenciais: o formato cônico, que direciona a água para o centro; um único buraco grande no meio, que permite maior controle do fluxo de água; e suas ranhuras em espiral, que criam um espaço entre o filtro de papel e o porta filtro, fazendo com que o café possa “se expandir melhor” (palavras da Hario). Tudo isso para dizer que você tem um grande controle de variáveis e pode preparar cafés maravilhosos, de acordo com seu paladar.

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O V60 existe em 3 tamanhos e atualmente tem 4 versões feitas de materiais diferentes (cerâmica, vidro, acrílico e cobre). Gosto muito desse método, especialmente pela simplicidade e pelo controle de variáveis. Se você procura uma maneira bonita de preparar e servir um café filtrado, aproveite e tome nota da receita!

Proporção: aproximadamente 1 parte de café para 15 de água, ou 1:15. Isso quer dizer que você vai usar 20g de café para 300ml de água.

Moagem do café: média fina a média.

Modo de preparo:

1. Moa o café imediatamente antes de começar a preparar a bebida. Lembre-se de pesar o pó antes do preparo, para poder repetir ou corrigir sua receita numa próxima vez. Prepare um cronômetro também, se você tiver.

2. É um bom hábito passar uma água quente pelo seu filtro de papel antes de colocar o café dentro dele. Esse detalhe simples ajuda a diminuir o sabor residual do papel, além de servir para estabilizar a temperatura do recipiente que vai ter contato com a bebida.

3. Coloque o café moído dentro do filtro e acrescente 60g de água, molhando por igual todo o pó. Esse processo é conhecido como desgaseificação ou blooming. Inicie seu cronômetro e espere de 35 a 45 segundos.

4. Em seguida, acrescente o restante da água em movimentos circulares, em intervalos de mais ou menos 10 segundos. Molhe principalmente as áreas mais escuras do pó, que estão menos saturadas com água. Espere a água baixar antes de acrescentar mais.

5. A extração deve estar chegando ao fim quando seu cronômetro chegar em 3 minutos. O tempo é uma variável importante, então preste atenção: se a extração foi rápida demais, provavelmente seu café está com a moagem muito grossa; e se demorou muito, a moagem pode estar muito fina.

6. Retire o filtro de papel com cuidado (principalmente se tiver um pouco de água dentro, pois estará quente) e descarte. Seu café está pronto e delicioso. 😉

Tempo de preparo: por volta de 4 minutos.

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Fico por aqui com os métodos de extração, e se você gostou das fotos desse post dá uma olhada lá no meu Instagram.

Vamos tomar um café?

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Métodos de Extração: Espresso

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Olá a todos os bebedores e bebedoras de café desta nação!

Estamos quase chegando ao fim da nossa série sobre métodos de extração do café e, como não podia deixar de ser, vamos falar hoje sobre o espresso! Assim mesmo, italianíssimo, escrito com todos os seus s’s, altamente concentrado e de sabor inconfundível. Diz James Hoffmann que muitas são as definições do que se pode chamar de espresso, mas basicamente ele considera o espresso uma bebida forte e pequena, feita com grãos de café em moagem fina, extraída sob alta pressão d’água. Acrescente-se a isso a crema (aquela bela espuma que fica na parte superior da bebida, considerada “o rosto” do café na tradição árabe) e uma baixa proporção de água para a quantidade de café utilizado.

julianolamur-cafeemcasa019-espresso-flickr.com_flippantfiasco-ickfd-metodos-de-extracao-cafeFonte: flickr.com/flippantfiasco – foto de topo: bryanschiele.com

Pode-se dizer que o espresso nasceu da vontade de produzir cafés mais concentrados, que criou a necessidade do aumento da pressão no momento da extração (por conta da moagem fina demais); no entanto, isso não é uma verdade completa. O próprio nome “espresso” indica que a bebida tem em sua origem a rapidez no preparo e a agilidade no serviço. A primeira patente do que poderia ser considerada uma máquina de espresso vem da Itália, quando em 1884, Angelo Moriondo registrou uma “máquina a vapor para preparo de café instantâneo”.

julianolamur-cafeemcasa019-espresso-sprudge-ickfd-metodos-extracao-cafeFonte: sprudge.com

Pessoalmente, penso que o espresso é uma das maneiras mais interessantes de preparo do café. Acredito que sua importância histórica, a grande quantidade de variáveis no preparo e a infindável quantidade de bebidas (e receitas em geral) que utilizam o espresso como base explicam muito da popularidade desse método. Há tanto para se dizer e tanto mais para se experimentar em uma xícara de espresso que daria para fazer uma série de posts exclusivamente sobre ele. Por isso, nada melhor do que começarmos a praticar desde já e para sempre. A receita aqui embaixo pode ser encontrada no The World Atlas of Coffee, de James Hoffmann.

Proporção: aproximadamente 1 parte de café para 2 de água, ou 1:2. Isso quer dizer que para 36ml da bebida pronta você pode usar 18g de café.

Moagem do café: fina.

Modo de preparo:

1. Moa o café imediatamente antes de começar a preparar a bebida. Para o espresso, o mais comum é utilizar um moedor que já tenha suporte para porta filtro. Lembre-se de pesar o pó antes do preparo, para poder repetir ou corrigir sua receita numa próxima vez. Aproveite e pese sua xícara vazia (vide passo 7).

2. É importante que sua máquina esteja aquecida quando você for preparar o espresso. O tempo de aquecimento varia entre os diferentes sistemas de funcionamento (e mesmo entre máquinas que utilizam o mesmo sistema), portanto tente conhecer todos os detalhes de sua máquina.

3. Com o café dentro do porta filtro, nivele-o com a mão e em seguida pressione para que o pó fique plano e compactado. A ferramenta adequada para fazer isso é o tamper, e recomenda-se uma pressão de 13 kg… (ou seja, não precisa apertar muuuuito forte).

4. Deixe a água correr um pouco antes de encaixar o porta filtro. Isso ajuda a estabilizar a temperatura e serve para limpar algum resíduo de café que possa ter ficado desde a última extração.

5. Quando a água parar de correr, encaixe o porta filtro com firmeza e certifique-se de que está bem preso. Coloque a xícara abaixo do porta filtro e inicie a extração o mais rápido possível.

6. Mantenha um cronômetro ou timer de cozinha ao alcance da mão e inicie a contagem quando a extração começar. Um bom ponto de partida é fazer uma extração entre 27 e 29 segundos. Com a prática é possível chegar a outras receitas, dependendo do perfil de cada café.

7. Quando atingir o tempo desejado de extração, pare a máquina. Assim que as últimas gotinhas pararem de sair, pese novamente sua xícara para saber quanto café você fez. Isso vai te ajudar a produzir um resultado melhor a cada extração, com base nos erros e acertos anteriores.

8. Beba seu espresso e repita todos os dias, várias vezes se possível. 🙂

Tempo de preparo: por volta de 3 minutos.

julianolamur-cafeemcasa019-espresso-saharisha.livejournal-ickfd-cafe-macaronFonte: saharisha.livejournal.com

Um abraço expresso e bons espressos!

Métodos de Extração: Chemex

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Hey, olá! Como vocês tem passado?

Cá estamos nós na nossa 6ª semana consecutiva falando sobre os métodos de extração do café. Quando pensei em fazer esse guia com vários posts, naturalmente fiquei animado por conta de alguns métodos específicos dos quais gosto muito. É o caso do assunto de hoje: a Chemex.

julianolamur-metodos-extraca-cafe-chemex-ickfd-cocoonhomeFonte: www.cocoonhome.com/Topo: northernmoments.tumblr.com

Quem já andou pelos Pinterests da vida provavelmente já deve ter visto essa cafeteira, pois só por ser tão linda ela já mereceria um espaço exclusivo nos armários das nossas cozinhas. A Chemex é um ótimo exemplo de método em que a água é despejada sobre o café (que chamamos de pour over, lembra?), que depois é filtrado em papel e pode ser servido no próprio recipiente da cafeteira.

Foi criada em 1941 pelo inventor alemão Peter Schlumbohm e é considerada um ícone do design de todos os tempos. Sua importância é tão grande que alguns dos maiores museus de arte e design do mundo (como o MoMA, por exemplo) mantém a Chemex como parte de seu acervo permanente.

julianolamur-metodos-extraca-cafe-chemex-ickfd-inspiration.teodorik.comFonte: inspiration.teodorik.com

O mais bacana é que essa beleza toda vai muito além do visual. Esse método é um dos meus favoritos por produzir um café particularmente limpo, ou seja, sem resíduos na xícara. Também é uma característica da Chemex possibilitar extrações que favorecem os sabores e aromas mais delicados dos cafés, como os florais e frutados.

Proporção: 60g/l (proporção de 1 parte de café para 16 de água, ou 1:16). Isso quer dizer que para 300ml de água você vai usar 18g de café.

Moagem do café: média a média grossa (ligeiramente mais fina do que a utilizada na French Press).

Modo de preparo:

1. Moa o café imediatamente antes de começar a preparar a bebida. Lembre-se de pesá-lo antes do preparo, para poder repetir ou corrigir sua receita numa próxima vez.

2. Dobre o filtro e coloque-o na Chemex, deixando o lado que tem várias camadas de papel virado para a frente (ou seja, para aquela canaleta pela qual o café é servido).  Escalde o filtro com água fervendo e pré aqueça o recipiente.

3. Coloque o café moído dentro do filtro e acrescente 60g de água, molhando por igual todo o pó. É interessante mexer essa mistura com uma colher para melhorar a extração, mas tenha cuidado para não rasgar o filtro. Essa etapa deve durar uns 45 segundos.

4. Em seguida acrescente o restante da água em movimentos circulares, deixando sempre a medida de um dedo de espaço livre na parte superior da Chemex para não derramar. Molhe principalmente as áreas mais escuras do pó, que estão menos saturadas com água. Pode ser necessário repetir essa etapa, dependendo da quantidade de café que você esteja preparando. Espere a água baixar antes de acrescentar mais.

5. Retire o filtro de papel com cuidado (principalmente se tiver um pouco de água dentro, pois estará quente) e descarte. Sirva seu café preparado na Chemex e boa sorte!

Tempo de preparo: de 3 a 4 minutos.

julianolamur-metodos-extraca-cafe-chemex-ickfd-kurasu.meFonte: kurasu.me

Para finalizar, escolhi esse vídeo do Stumptown Coffee Roasters, que é uma das minhas referências favoritas de todos os tempos. Está em inglês e dá para acompanhar bem direitinho o passo a passo de como usar sua Chemex. O barista faz uma quantidade maior de café, mas as proporções da receita são as mesmas que usei aqui.

Um grande abraço e até a semana que vem!

Métodos de Extração: Sifão

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Oi, pessoal!

Ultimamente temos falado bastante sobre métodos de extração por aqui. Nas semanas anteriores falamos do porta-filtros Melitta, da French Press ou prensa francesa e da Moka, aquela cafeteirinha italiana simpática e fácil de usar. Não cheguei nem na metade do guia sobre os métodos e já dá pra dizer que tem café para todos os gostos.

Hoje vamos falar sobre o Sifão e, se assim como eu, você também associa essa palavra àquela mangueira que fica escondida debaixo da pia da cozinha ou do banheiro, hoje é dia de mudarmos nossos conceitos! 😛

metodos-extracao-cafe-sifao-sonyayu-ickfdFonte: sonyayu.tumblr.com/foto de topo: flickr.com/gregorhofbauer

Para explicar rapidamente como esse método funciona, posso dizer que a água é colocada no recipiente de baixo e aquecida, enquanto o pó de café e o filtro ficam na parte de cima. Quando a água ferve, a diferença de pressão entre os dois recipientes faz com que a água passe do recipiente de baixo para o de cima (parece mágica mas é ciência, rá). Passado o tempo de infusão, o café é empurrado para baixo pela gravidade e diferença de pressão, passando pelo filtro e saindo bem limpinho do outro lado.

metodos-extracao-de-cafe-sifao-ickfdFonte: ns39.com

Preciso confessar que não tenho experiência com esse método de extração, pois se trata de um equipamento especialmente caro em tempos de dólar a mais de 4 reais. Aliás, se alguém por aí tiver um sifão e quiser me convidar para aprender a usar, o café e a prosa são por minha conta. :))

Em andanças e pesquisas por aí, fui reunindo informações sobre receitas de fontes confiáveis e cheguei a um ponto de partida para preparar café nesse método. Todo e qualquer feedback sobre a receita é bem-vindo, ok? Vamos lá!

Proporção: 66g/l (proporção de aproximadamente 1 parte de café para 15 de água, ou 1:15). Isso quer dizer que para 300ml de água você vai usar 20g de café.

Moagem do café: média a média fina (um pouquinho mais fina que a moagem usada para Melitta, Hario e afins).

Modo de preparo:

  1. Moa o café imediatamente antes de começar a preparar a bebida. Lembre-se de pesá-lo antes do preparo, para poder repetir ou corrigir sua receita numa próxima vez.
  2. Escalde o filtro com água fervendo e encaixe-o na parte superior do sifão, com cuidado para que esteja cobrindo toda a superfície do porta-filtro.
  3. Acrescente a água já fervendo ao recipiente de baixo e coloque-a sobre uma fonte de calor, montando a parte superior do equipamento em seguida. Deixe a água em contato com a correntinha da parte superior por alguns segundos (para que faça algumas bolhas) e termine de encaixar;
  4. Quando a água passar para o recipiente superior, acrescente o café e mexa. O objetivo dessa etapa é saturar o café completamente e por igual para que haja uma extração perfeita. Deixe descansar por 45 segundos e mexa novamente.
  5. Em seguida, tire os recipientes de cima da fonte de calor (com cuidado para não se queimar) e espere que o café desça. Seu café está pronto, mas é recomendável esperar uns 5 minutinhos antes de beber para que esfrie um pouco.

Tempo de preparo: de 3 a 5 minutos

metodos-de-extracao-cafe-sifao-chantellegrady-ickfdFonte: chantellegradyblog.com

Separei um vídeo lá do site do Intelligentsia Coffee Roasters explicando (em inglês) como usar o sifão. O Intelligentsia é um café incrível que tem algumas lojas espalhadas pelos Estados Unidos, e o blog deles também tem vários textos legais sobre café (claro que não tanto quanto os nossos, hehe).

Um abraço e feliz sifão para todos!